A “corrida de academia” que virou um negócio global de US$ 700MM
A época era 2014-2015. O alemão Moritz Fürste , bicampeão olímpico de hóquei sobre a grama, se preparava para o que seriam seus últimos Jogos Olímpicos, em 2016, no Rio de Janeiro — onde eventualmente...
Por Redação

(Imagem: The Hyrox Competition)
A época era 2014-2015. O alemão Moritz Fürste, bicampeão olímpico de hóquei sobre a grama, se preparava para o que seriam seus últimos Jogos Olímpicos, em 2016, no Rio de Janeiro — onde eventualmente conquistou sua terceira medalha olímpica, só que agora de bronze.
No entanto, as Olimpíadas no Brasil também encerraram sua carreira atlética internacional… e, ao que tudo indica, isso já estava previsto e ele já pensava nos pós-aposentadoria.
Só que, em vez de buscar algo mais “tranquilo”, Fürste queria encontrar algo que não eliminasse a intensidade e o propósito das competições que ele viveu durante anos com o hóquei sobre a grama.
Na mesma época, ele participava da campanha para levar os Jogos Olímpicos de 2024 a Hamburgo, mas a proposta foi rejeitada em um referendo. Contudo, durante o processo, conheceu e se aproximou de Christian Toetzke, empresário experiente na organização de eventos esportivos.

Moritz Fürste (à esquerda) e Christian Toetzke (Imagem: HYROX Insider)
Conversa vai, conversa vem, eles perceberam algo que até poderia ser meio óbvio: milhões de pessoas já tratavam o treinamento físico, especialmente em academias, como seu esporte, mas não tinham uma competição que representasse essa rotina.
Logo, por que não criar uma prova que combinasse corrida e exercícios funcionais, com regras iguais em qualquer cidade do mundo?
Assim surgiu o HYROX: oito quilômetros de corrida, intercalados por oito estações de exercícios, como empurrar trenós, máquinas de remo e carregar pesos. A padronização permite comparar tempos e resultados entre participantes de diferentes países — e dá a cada atleta uma meta para superar.

(Imagem: Hyrox | Reprodução)
Em 2017, veio a largada
Fürste e Toetzke adicionaram o expert em marketing Michael Trautmann como cofundador e a estreia aconteceu em Hamburgo, com apenas 650 participantes.
Fürste chegou a ser o mestre de cerimônias e a fazer um pouco de tudo, mas saiu dali convencido de que havia encontrado algo especial: a alegria dos competidores era a prova de que a ideia tinha potencial.
A aposta, porém, estava longe de ser segura. O trio pegou empréstimos com familiares, amigos e bancos para provar o modelo, evento por evento, enquanto tentavam transformar uma novidade em uma comunidade.
Em dezembro de 2019, os fundadores celebravam a chegada de um novo sócio, a Infront. Mas, meses depois, a COVID-19 interrompeu o negócio, que dependia de eventos presenciais. A empresa, assim como o resto do planeta, precisou encontrar formas de manter a marca viva.

(Imagem: Wolverson Fitness)
Eles investiram em competições digitais, na comunicação com os atletas e, em vez de abrir academias próprias, começaram a licenciar a marca HYROX para academias, que passaram a atuar como "Training Clubs" (clubes de treinamento) oficiais, por cerca de US$ 1.500 ao ano. Essas academias, por sua vez, promovem o treinamento HYROX para seus próprios membros, terceirizando, na prática, a aquisição de clientes para milhares de estabelecimentos que pagam por esse privilégio.
Em outubro de 2022, a Infront se tornou acionista majoritária e, naquele mesmo ano, uma prova esgotada em Londres marcou a retomada e um novo patamar de crescimento. Sob a gestão da Infront, o HYROX:
Ultrapassou 100 eventos e passou a operar em 34 países;
Tem quase 16 mil academias afiliadas;
Fechou a temporada 2025/2026 (encerrada em junho deste ano) com mais de 1,4 milhão de participantes e 1,5 milhão de espectadores.
O negócio também ganhou força entre grandes empresas. A Puma é parceira desde a primeira edição e renovou o contrato até 2030. Red Bull e BYD também estão entre as marcas associadas, enquanto Nike e Adidas lançaram tênis específicos para treinos híbridos do HYROX.

(Imagem: Puma)
Corta para setembro de 2026: os fundadores retomaram o controle da companhia com apoio de um consórcio liderado pela L Catterton, fundo ligado ao conglomerado de luxo francês LVMH.
Segundo a Bloomberg, o negócio avaliou a marca em aproximadamente € 600 milhões (quase US$ 700 milhões). A projeção deste ano é US$ 270 milhões em faturamento.
O próximo passo pode ser ainda maior: o HYROX firmou uma parceria com a World Triathlon para reconhecer o hybrid racing como disciplina esportiva.
A ambição é chegar aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos — o que seria um full circle moment para Fürste, visto que tudo “começou” na campanha para levar os Jogos Olímpicos de 2024 a Hamburgo.
🇧🇷 E o HYROX no Brasil, como está?

(Imagem: ILUS Fitness)
O país virou um dos mercados estratégicos da marca. A operação local começou em fevereiro de 2025, no Rio de Janeiro, e realizou sua primeira prova em São Paulo, em setembro daquele ano.
Desde então, avançou para outras cidades, como Fortaleza, além de as buscas pela modalidade por aqui crescerem 330% ano a ano.
A expansão também aparece nas academias: o Brasil já tinha mais de 220 unidades afiliadas no início do ano. Nos agregadores Wellhub e TotalPass, os check-ins em quatro academias dedicadas à modalidade saltaram de 2.371 para 24.292 entre janeiro e setembro, alta de 924,5%.
A projeção é chegar a 30 mil atletas na temporada 2026/2027. Para academias, marcas e empreendedores, a disputa agora é transformar a febre em um mercado duradouro.
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